Popular Posts

Blogger templates

Blogger news

Blogroll

About

Tecnologia do Blogger.
quinta-feira, 13 de junho de 2013

As ondas são anjos que dormem no mar,
Que tremem, palpitam, banhados de luz...
São anjos que dormem, a rir e sonhar
E em leito d'escuma revolvem-se nus!
E quando de noite vem pálida a lua
Seus raios incertos tremer, pratear,
E a trança luzente da nuvem flutua,
As ondas são anjos que dormem no mar!
Que dormem, que sonham- e o vento dos céus
Vem tépido à noite nos seios beijar!
São meigos anjinhos, são filhos de Deus,
Que ao fresco se embalam do seio do mar!
E quando nas águas os ventos suspiram,
São puros fervores de ventos e mar:
São beijos que queimam... e as noites deliram,
E os pobres anjinhos estão a chorar!
Ai! quando tu sentes dos mares na flor
Os ventos e vagas gemer, palpitar,
Por que não consentes, num beijo de amor
Que eu diga-te os sonhos dos anjos do mar?

Álvares  Azevedo

Pesquisa por Amanda Rôde
Nas décadas de 50 e 60 do século XIX, durante o Romantismo, jovens poetas universitários de São Paulo e Rio de Janeiro reuniram-se em um grupo, dando origem à poesia romântica brasileira conhecida como Ultra-Romantismo.
Essa geração foi influenciada pelo escritor inglês Lord Byron – sendo assim também conhecida como “geração byroniana”, cujo estilo de vida era imitado. 

O Ultra-Romantismo se caracteriza pelo pessimismo, sentimento de inadequação à realidade, ócio, desgosto de viver, essa geração sentia-se “perdida”, não tinha nenhum projeto no qual se apegar.
O apego a bebida, ao vício, atração pela noite e pela morte caracterizava o “mal-do-século”, características presentes nas obras do principal representante: Álvares de Azevedo, acrescentando temas macabros e satânicos. A tendência contou ainda com Cassimiro de Abreu, Fagundes Varela e Junqueira Freire. 
Os Ultra-Românticos não se apegavam aos temas e posturas do Romantismo (nacionalismo e indianismo) pelo contrário, os desprezavam, mas o subjetivismo, o egocentrismo e o sentimentalismo foram bastante acentuados.
Por Marina Cabral 
Especialista em Língua Portuguesa e Literatura.

Pesquisa por Vanilla
Foi preciso esperar pela época do Romantismo (século XVIII) para que se criassem as primeiras bases sólidas do romance. Antes disso, apenas se produzia a novela, que andava, sensivelmente, ao nível do romance de aventuras em série e do romance de folhetim. Em traços largos, o romance distingue-se da novela pela maior extensão do texto e pelo fato de na novela predominar o evento, a história contada no geral, enquanto que no romance há o avultar de toda a atmosfera psicológica, social, ambiental, configurando o mundo das personagens, tornando-o mais denso e complexo, aproximando o leitor aos reais acontecimentos cotidianos, dando, assim, lugar a um ritmo e a um tempo da história muito mais lento, mais alargado, mais próximo do tempo real. O romance histórico português produziu brilhantes exemplos, multiplicando o número de autores que o adoptaram, revelando ao mundo das Letras portuguesas nomes marcantes como os de Alexandre Herculano, Almeida Garrett, Camilo Castelo Branco, A. da Silva Gaio e outros.

Pesqusa por Karina Paiano
"Cena V"
"Uma sacada que dá para os
aposentos de Julieta, sobre o jardim.""
"JULIETA — Já vai embora? Mas se não está nem perto de amanhecer! Foi o rouxinol, não a cotovia, que penetrou o canal receoso de teu ouvido. Toda a noite ele canta lá na romãzeira. Acredita-me, amor, foi o rouxinol.""
ROMEU — Foi a cotovia, arauto da manhã, e não o rouxinol. Olha, amor, as riscas invejosas que tecem um rendado nas nuvens que vão partindo lá para os lados do nascente. As velas noturnas consumiram-se, e o dia, bem-disposto, põe-se nas pontas dos pés sobre os cimos nevoentos dos morros. Devo partir e viver, ou fico para morrer.
JULIETA — Essa luz não é a luz do dia, eu sei que não é, eu sei. É só algum meteoro que se desprendeu do sol, enviado para esta noite portador de tocha a teu dispor, e iluminar-te em teu caminho para Mântua. Portanto, fica ainda, não... precisas partir.
ROMEU — Que me prendam! Que me matem! Se assim o queres, estou de acordo. Digo que aquele acinzentado não é o raiar do dia; antes, é o pálido reflexo da lua. Digo que não é a cotovia que lança notas melodiosas para a abóbada do céu, tão acima de nossas cabeças. Tenho mais ânsia de ficar que vontade de partir. — Vem, morte, e seja bem-vinda! Julieta assim o quer. — Está bem assim, meu coração? Vamos conversar... posto que ainda não é dia!
JULIETA — É dia sim, é dia sim. Corre daqui, vai-te embora de uma vez! É a cotovia que canta assim tão desafinada, forçando irritantes dissonâncias e agudos desagradáveis. Alguns dizem que a cotovia separa as frases melódicas com doçura; não posso acreditar, pois que ela vem agora nos separar. Alguns dizem que a cotovia é o odiável sapo permutam seus olhos; como eu gostaria, agora, que eles também tivessem permutado suas vozes! Essa voz alarma-nos, afastando-nos um dos braços do outro, já que vem te caçar aqui, com o grito que dá início à caçada deste dia. Ah, vai-te agora; ilumina-se mais e mais a manhã.
ROMEU — Ilumina-se mais e mais... enquanto anoitece em nossos corações!
(Entra a Ama.)
AMA — Madame!
JULIETA — Ama?
AMA — A senhora tua mãe vem vindo para os teus aposentos. Amanheceu. Sê prudente, cuida do que acontece à tua volta.
(Sai.)
JULIETA — Então, janela, deixe entrar o dia e deixe fugir a vida.
ROMEU — Adeus, adeus! Um beijo, e eu desço.
(Desce.)
JULIETA — Estás indo embora assim? Meu esposo, meu amor, meu amigo! Preciso ter notícias tuas todo dia, a cada hora, pois num único minuto cabem muitos dias. Ah, por essa contagem estarei velhinha antes de reencontrar o meu Romeu.
ROMEU — Adeus! Não perderei oportunidade em que possa transmitir a ti, amor, meus sentimentos.
JULIETA — Acreditas que nos veremos de novo?
ROMEU — Não duvido nem por um momento. E todas essas aflições servirão de tema para doces conversas em nosso futuro.
JULIETA — Ah, Deus! Como minha alma é agourenta. Penso ver-te, agora que estás aí embaixo, como alguém morto, no fundo de uma tumba. Ou meus olhos estão me enganando ou estás muito pálido.
ROMEU — Acredita-me, amor, enxergo-te igualmente pálida. A tristeza, insensível, nos bebe todo o sangue. Adeus, adeus!
(Sai, abaixo da sacada.)"
"~ William Shakespeare ~"
* Especial: Romeu e Julieta
~ Arnaldo Poesia ~"
Pesquisa por Jaiane Veras.
O sonho de te ter
Por tanto tempo separados e hoje eu te encontrei e senti que ainda te amo, pensei que conseguiria superar a distância, que ela me faria esquecer você, mas não, não consegui. Tudo que eu queria era te esquecer, cada vez que você se aproxima de mim eu sinto todo esse amor crescer, meu coração fica a ponto de explodir, quando que vejo a sua boca surge uma vontade insuportável de te beijar, sentir o calor dos teus lábios nos meus, Ai que sonho! É tão bom te ver, falar com você, mexer no seu cabelo, sentir suas mãos em meus pulsos, os mesmos pulsos que agora desejo esfolar, para escapar de tudo isso, já que você não se importa comigo qual o sentido de eu me importar com o que você vai sentir se eu morrer? Enfim... A excitação cresce em mim, e eu só quero ter você, nada mais importa quando você me toca, cada vez que estou com você fico marcada, uma marca física e uma marca psicológica, e a ânsia que sinto em te ter para mim só aumenta, cresce e se expande extraordinariamente, inexplicavelmente, eu te amo, mais e mais, não consigo parar esse sentimento, já tentei, e estou tentando constantemente pará-lo, estancá-lo, destruí-lo, matá-lo, mas não consigo, você está em mim, mora em mim e não vai sair de jeito nenhum. Cada palavra que eu falo é inútil para descrever o que venho sentindo não existe nada que expresse nenhuma palavra, nenhuma atitude, a infinidade dos céus, as milhares, milhões, bilhões de constelações e planetas do universo são minúsculas comparadas ao meu amor, e ele só tende a aumentar. Você está tomando a luz dos meus olhos com a sua escuridão, as suas sombras me acompanham, me submergem, nas profundezas do submundo que é amar você, é como um labirinto, não importa pra que lado eu vá, é impossível sair, você nunca vai sair de mim, nunca vai me deixar viver em paz, e dessa forma minha única paz só será encontrada quando eu te tiver sob o meu poder, ou quando finalmente eu acabar com meu calvário, no fundo de uma cova, fria e escura.



Autora: Túlasi Maharani.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Disparo contra o sol
Sou forte, sou por acaso
Minha metralhadora cheia de mágoas
Eu sou o cara
Cansado de correr
Na direção contrária
Sem pódio de chegada ou beijo de namorada
Eu sou mais um cara

Mas se você achar
Que eu tô derrotado
Saiba que ainda estão rolando os dados
Porque o tempo, o tempo não pára

Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta

A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas idéias não correspondem aos fatos
O tempo não pára

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára
Não pára, não, não pára

Eu não tenho data pra comemorar
Às vezes os meus dias são de par em par
Procurando agulha no palheiro

Nas noites de frio é melhor nem nascer
Nas de calor, se escolhe: é matar ou morrer
E assim nos tornamos brasileiros
Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro
Transformam o país inteiro num puteiro
Pois assim se ganha mais dinheiro

A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas idéias não correspondem aos fatos
O tempo não pára

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára
Não pára, não, não pára


Na época em que Cazuza existiu o Brasil sofria uma transformação cultural; sofríamos com uma crise, tínhamos que pagar uma divida. Cazuza, tentava mostrar em suas músicas sua indignação com a nação. Nesta musica ele crítica, na primeira estrofe que o Brasil estraria regredindo, correndo na direção contrária. 'Eu sou o cara' seria para dizer que nós, brasileiros, temos força, pegada, garra. Não teríamos um ''pódio de chegada'' poque não estávamos indo a lugar algum, literalmente regredindo com a nação. Estaria '' rolando os dados'' porque mesmo, aparentemente derrotados, não iriamos desistir de salvar a nação da crise. ''Sem data para comemorar'' significaria que não tínhamos dia para vencer, para crescermos. Ele via que de certa forma o Brasil podia mudar em alguns aspectos, mas que o futuro iria repetir o passado. Havia  a questão de que o Brasil lá fora era visto mais por causa das mulher de extrema beleza, mas também da prostituição, e mesmo assim continuava com o preconceito contra os gays.. O Brasil estava a procura de fazer riquezas.

Pesquisa por :Letícia e Jamile Pereira.
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Às vezes no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado
Juntando o antes, o agora e o depois
Por que você me deixa tão solto?
Por que você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho
Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem
Eu tenho os meus desejos e planos secretos
Só abro pra você mais ninguém
Por que você me esquece e some?
E se eu me interessar por alguém?
E se ela, de repente, me ganha?
Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora
Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?
Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora
Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?
Pesquisa por Monalisa Lima
Romantismo foi um movimento artístico, político e filosófico surgido nas últimas décadas do século XVIII na Europa que permaneceu por grande parte do século XIX. Caracterizou-se como uma visão de mundo contrária ao racionalismo e ao iluminismo e buscou um nacionalismo que viria a consolidar os estados nacionais na Europa.
O termo romântico refere-se ao movimento estético ou, em um sentido mais amplo, à tendência idealista ou poética de alguém que carece de sentido objetivo.
O Romantismo é a arte do sonho e fantasia. Valoriza as forças criativas do indivíduo e da imaginação popular. Opõe-se à arte equilibrada dos clássicos e baseia-se na inspiração fugaz dos momentos fortes da vida subjetiva: na fé, no sonho, na paixão, na intuição, na saudade, no sentimento da natureza e na força das lendas nacionais.
O Romantismo foi dividido em três gerações:
1° geração:
- subjetivismo
- exagero
-nacionalismo
-escapismo
2° geração:
- pessimismo
- religiosidade
- naturalismo
- gosto pela morte
3° geração:
- fase de transição
- idealização da mulher.


E pra quem não quiser ler (kkk), assista ao vídeo!

Pesquisa por Samantha Vieira

      Meu pai havia me dado um livro, pelo qual me interessei muito,O Mundo De Sofia. Durante um tempo fiquei ali, parado, encarando aquela capa de que nada me dizia, não sabia se era ruim ou bom.
      A lareira continuava a queimar atrás de mim, e ouvia a madeira crepitando. Minha mãe continuava na cozinha conversando com meu pai, fiquei curioso e queria ir lá espiar a conversa dos dois, mas sabia que se fisese isso, e ela descobrisse iria se zangar, então continuei fitando o livro. Fiquei com a sensação de que alguém estava me observando, era algo estranho, que sentia as vezes quando estava só. 
     Abri a primeira página. E comecei a ler.
     Logo mal tinha terminado a primeira página e minha mãe veio me chamar para o jantar. Ela se aproximou e se sentou ao meu lado, acariciou meu rosto e disse:
-O jantar já está pronto, meu anjinho.
-Mas logo agora mãe ?! –Protestei, há tempos estava ali esperando o jantar sair e justamente na hora em que decidir ler o jantar tinha ficado pronto.
-Te espero lá dentro. Disse por fim e se distanciou até desaparecer na vastidão daquela sala.
     A casa inteira me deixava com medo, era simplesmente de arrepiar, não porque parecia com uma mansão mal assombrada, mas pelo fato de que era extremamente grande. Por mais que houvessem varias janelas e a claridade solar... isso não alterava o fatos dos imensos corredores, das varias portas e de vez ou outra eu me perder lá dentro. A própria sala me deixava confuso: uma enorme porta de madeira maciça na frente, sofás há poucos metros da porta, no chão a casa era quase toda com tapetes persas. Havia o corredor esquerdo da porta que dava para um hall com diversas pratilheiras de livros. O corredor direito dava para alguns quartos e no final se encontrava na cozinha dando acesso novamente para sala. E havia as escadas que dava acesso a um labirinto de quartos. No final da sala tinha um outro corredor que levava a  cozinha e um porão ao fundo, em uma porta secreta. Me levantei, coloquei o livro em cima do sofá e fui para a cozinha. No caminho fiquei observando todos aqueles retratos de pessoas que há muito tinham morrido, não entendia o porquê ter aquilo. Se as pessoas já estavam mortas e nem fizeram parte de nossas vidas, porque ter tantos quadros deles ? Fiquei fitando um homem de mais ou menos 20 anos que segurava um chapéu junto do seu peito e olhava solenemente para mim. Senti um arrepio na minha coluna, então me apressei para ir a cozinha. Durante o meu percurso ouvi um barulho atrás de mim, uma porta abriu. Meu coração gelou. A lente do meu óculos estava um pouco suja ... Então voltei dois passos, entrei no comodo que há pouco se abriu, minhas mãos suavam, a maçaneta mal girava. Coloquei minha cabeça para dentro, a unica coisa que conseguia ver era uma poltrona aparentemente velha perto de uma pequena estante com livros, ao seu lado um piano, entrei. Ao toque dos meu pés o chão fazia um barulho suave, mas que me incomodava. Fui para perto do piano passei minhas mãos por ele, estava totalmente empoeirado. Comecei a tocar algumas notas, bem não sabia tocar, mas fiquei mexendo aleatoriamente. Fazia um som legal, embora não remetesse a nenhuma música conhecida. Olhei para o lado, para a estante, tinha bastante livros ali. Freud, Karl Max, Durkheim (...) minha mãe havia me dito que meu avô paterno era o tipo de homem que buscava o conhecimento a qualquer meio. E ao que me parecia ele gostava muito de sociologia. 
   Um barulho.
   Me virei a tempo, e a unica coisa que consegui enxergar foi um vulto preto, e logo em seguida a janela se fechou. A janela continuava aberta, as cortinas se balançando com o vento. Havia algo de errado, como aquilo aconteceu ? Até onde eu sabia todas as janelas do primeiro andar tinham grade, encontrei uma que não tinha.
    -O que aconteceu aqui ? –Minha mãe entrou no comodo com um aspecto de que tinha acabado de ter um ataque cardíaco, ela estava preocupada. -Não sei –respondi -Entrei. Estava mexendo no piano quando a janela se abriu. Minha mãe continuava preocupada. Retirou uma mexa loira de seu rosto, que a essa altura já estava suado. -Bem, vou providenciar para seu pai colocar uma grade amanhã, bem cedo. Agora vamos.
Mamãe foi até a janela e fechou ela, ates disso ela deu uma olhada do lado de fora, como se sentisse o mesmo que eu -que alguém estava lá fora. Então pegou minha mão para me levar até a cozinha, era hora do jantar.
    Já na sala de jantar me senti um pouco deslocado, meu primo Tyler estava sentado a mesa. Nunca tinha me dado bem com ele. Ele sempre arrumava um jeito de alguma briga acontecer e meus pais ficarem contra mim, era o tipo de situação que nunca conseguia me livrar, nem provar minha inocência. Dora começou a nos servir. -Tyler ? –minha mãe chamou sua atenção, e instintivamente olhei. Peguei a batata que Dora tinha colocado em meu prato, abaixei minha cabeça e comecei a comê-la. -Sim tia Margarite. No mesmo momento Tyler colocou um sorriso em seu rosto, embora a todo momento eu sabia que era falso. Sempre foi assim: Tyler aprontava e eu era quem levava a culpa. Me Sintia totalmente injustiçado com aquilo, isso me sufocava.
-O que está aprendendo em seu colégio ? –minha mãe estava apenas tentando puxar assunto com ele, mas o que eu realmente estava querendo saber era se ele iria dormir comigo.
-Bem titia, para começar estávamos aprendendo sobre Comédia Dell'Arte, MITOLOGIA GREGA,O fazer teatral: comédia X tragédia, Máscaras: Gregas, Venezianas, Africanas. Entre outras coisas. Gostei muito de aprender sobre a Comédia Dell’Arte, eles se apresentava nas ruas e tinham um tipo familiar de estruturação.
-Hum, é muito bom saber que gosta de estudar Tyler. Disse meu pai, ele realmente se interessava pela arte.
-Obrigada tio Jared.
Eu sabia que meu primo era do tipo que adorava aparecer, sempre queria ser o centro das atenções. Por isso tratei de desligar meu cérebro, não me importar por o que eles fossem falar. -Alfred ? –Minha mãe falou, mas tava mais para um semi grito.
-Oi mãe. Me assustei com ela me chamando.
-Posso saber onde estava ? –Ela sorriu.
-Como assim ?
-É que você estava distante, aí, comendo –meu pai respondeu por ela.
-Ah, nada não. É só sono mesmo. Já posso me retirar ?
-Claro. Tyler vai se juntar a ele ? Droga ! A ultima coisa que queria era que ele fosse dormir comigo. Sabia que minha noite seria nada agradável, mas não podia fazer nada quanto a isso. Me retirei da mesa e comecei a caminha em direção a meu quarto, ciente de que meu primo estava logo atrás de mim. Queria saber para que uma casa tão grande, com tantos quartos, e ele teria que dormir comigo. Vai ver ele tinha medo do escuro, ou só queria me atormentar mesmo.
   Subimos as escadas em silêncio, não dava para perceber que ele estava atrás de mim, a não ser por que podia escutar sua respiração. Quando chegamos no meu quarto fui para o banheiro escovar meu dentes, logo ele veio fazer o mesmo. Quando terminei olhei para ele, e mesmo estando sem jeito dei um meio sorriso. Sai do banheiro e fui direto para cama. Me embrulhei. Percebi pelo canto do olho que onde ficava minha mesinha com todas as coisas da minha escola e meus livros abertos, havia no lugar a mala de Tyler, pelo volume percebi que ele não iria passar alguns dias, com certeza seria mais tempo. O que teria acontecido ? Pela manhã iria perguntar a minha mãe.
-Está tudo bem pra você se eu passar um tempo aqui ? –perguntou Tyler quando se sentou no canto da minha cama, a meus pés.
-Claro, sem problemas. Em parte queria que o que eu tinha dito fosse verdade, mas no fundo sabia que não era, não queria que ele ficasse ali, justamente porque sabia que seria um inferno, mas não podia fazer nada a não ser aceitar. Peguei meus óculos os coloquei no criado mudo ao lado do livro que mal tive tempo para pegar novamente, me ajeitei e fui dormir.
   Tyler não tava conseguindo dormir, ele se mexia muito, estava logo abaixo de mim, em outra cama. Sua respiração era ofegante como se estivesse correndo ou até mesmo malhando.
   -Não pai ! Pai!
   Ele falava dormindo! Aquilo me assustou. O que tinha o pai dele ? Tyler continuou falando por um bom tempo. Não sabia o porque de todas aquelas palavras de estar chamando seu pai. Sentiria falta dele? Era algo que não saberia, até porque Tyler nunca foi de demonstrar sentimentos, a não ser quando ele não gosta de você e começa a  te irritar.

    Margarite estava preocupada, seu marido, Jared, acabara de receber um e-mail, há pelo menos 30 minutos que não tirava o rosto do notebook nem falava nada, apenas gesticulava. Ela se aproximou, colocou sua mão no ombro dele, mas era o mesmo que estar tocando uma estátua. Estava frio, pensativo. Seus olhos longe, em um lugar que talvez nem mesmo ela pudesse alcançar. Ela não poderia imaginar nada que pudesse deixá-lo naquele estado.
    Após um tempo em completo silêncio Jared falou -ele atacou novamente. Sua expressão estava abatida, triste.
Tudo parou.
  Nada mais fazia sentido.
  Margarite precisou se sentar na cama, fitando para ele. 
-Como assim ? O que quis dizer com isso ?
  Jared a abraçou.
Beijou seu pescoço. -Vai ficar tudo bem. –Jared tentou acalma-la. -Porque parece que não acredita nas sua próprias palavras, Jay ? Margarite estava incrédula  incapaz de acreditar no que estava acontecendo. Jared deu um semi sorriso e a abraçou mais forte. -Talvez porque a situação não seja tão fácil de se resolver, mas não quero te preocupar.
-Como ‘não quer me preocupar’ ? Jared temos uma vida juntos, não pode ficar me escondendo as coisas. Margarite odiava segredos.
-Tá, só não sei por onde começo. Ele puxou-a para junto de si. Naquele momento a unica coisa de que precisava era dela perto dele.
-Que tal sobre o conteúdo do e-mail ?
-Pois bem –uma pausa –há algum tempo o escritório andava mal, dinheiro faltava. E o que entrava muitas vezes sumia, mas não percebemos isso a tempo. Quando descobrimos já era ‘tarde de mais’. Algumas dividas não foram quitadas, os cheques que enviamos estavam sem fundo porque alguém andou retirando dinheiro da conta, mas ainda não descobrimos quem fez isso. Todos os dados foram alterado para que pensássemos que estava tudo bem, e assim há algum tempo andamos no vermelho sem saber.
-Porque não me contou isso antes ? –Margarite estava Perplexa com o que estava acontecendo, mas o que isso tinha haver com seu pai?
-Achei que poderia resolver –ele retirou uma mexa de cabelo do rosto dela, a beijou. Segurou sua cintura a puxando para mais. Colocou uma mão por detrás, na sua nuca. Era como se o frio tivesse se fundido ao calor, como se as nuvens de repente estivessem ao seu redor. Nada poderia ser melhor do que aquilo; aquele desejo insaciável. Uma vontade de ter um ao outro pra sempre. Entre seus lábios ele falou –Só estava tentando te proteger, não queria que se preocupasse.
-Meu amor, não é assim se se protege alguém, tem que me contar. Sempre. 
Ela continuava refém daquele beijo, Jared continuava mantendo seu rosto perto do dela.
-O que mais está me escondendo ?  –Margarite o beijou.
-Bem, acho que só o conteúdo do e-mail.
- E qual é ?
Jared se desprendeu dela. Levantou, foi até a mesa, pegou o notebook.
-Para quitar todas as dividas tive que vender boa parte das ações.
-quantos porcentos ? Aquilo já estava ficando preocupante.
-Mais da metade.
-Como conseguiu me esconder isso ? Margarite estava preocupada com o grau que aquilo tinha chegado.
-Não foi fácil, te garanto. Mas não queria que se preocupasse atoa.
-Alguém nos rouba, você vende as ações e isso é se preocupar atoa Jared ? Pensei que confiasse mais em mim.
- E confio, mas eu sinceramente pensei que pudesse resolver tudo sozinho, só que me enganei, e te peço mil desculpas, meu amor.
–Mas e o conteúdo do e-mail ? -perguntou Margarite.
-Essa é uma parte que acho que mais vai lhe desagradar.
-Animador. -respondeu ironicamente.
-Seu pai.
-O que tem ele ? -perguntou rispidamente.
-Foi ele quem comprou as ações. -Jared não sabia como dar aquela notificação.
-Como ?! Você sabia ?! -Margarite não estava entendendo.
-Não, eu não sabia. A divida tava crescendo, então tive que acelerar o processo da venda, e ele ofereceu um preço acima do mercado, não tive como recusar. Mas não sabia que era seu pai, ele fez tudo por um intermediário e um advogado.
-Então ele fez de proposito? -Margarite fez uma pausa. Pensou -Queria que não soubéssemos que era ele. Pode ter certeza de que meu pai esta planejando algo, ele não faria isso por puro desdem.
-É isso que me preocupa, qual sera a jogada de Will ? Jared se encontrava pensando nas consequências que estavam por vim, e viriam.
-Não tenho a minima ideia. Mas se ele tinha muito interesse para comprar essas ações, mas pra que ?
-Há outra coisa. - Margarite o fitou, então Jared prosseguiu -O mesmo homem que é suspeito de ter alterado os dados trabalha para seu pai.
-Ótimo, agora além de mostro passou para ladrão também? A que ponto meu pai chegou...
   Jared a abraçou.
-Vai ficar tudo bem, não vou deixa-lo nos perturbar. Jared a beijou, fazendo com que as pertubações por um momento sumissem.
-Acho que ele já está conseguindo.
   O alarme tocou, estava com muito sono ainda, não queria levantar. O sol estava bem no meu rosto, esquentando, aquilo estava me incomodando. Percebi que o quarto estava iluminado como nunca tinha estado antes, como se uma tocha estivesse acessa lá dentro. Tyler continuava dormindo no chão, ou melhor, na cama abaixo de mim. -Tyler está na hora de acordar. Mas enquanto me espreguiçava e pegava meus óculos ele parecia não querer me ouvir. Fui até o banheiro escovar meus dentes, havia pouco tempo, tinha que me apressar se quisesse pegar o ônibus escolar. Levei um susto quando terminei; Tyler estava na porta com cara de quem não tinha dormido bem. –Bom dia –disse ele por final. –Bom dia. Ah, temos pouco tempo para irmos para a escola. Me vesti, desci as pressas para o café.
   Me surpreendi ao ver que minha mãe não estava chateada pelo atraso. 
-Afina, porque o Tyler está aqui ? –perguntei já intrigado pela situação.
-É coisa de gente grande, meu anjinho. –ela pegou no meu queixo, beijou minha testa.
-Quanto tempo, mãe ?
Minha mãe não estava querendo me responder, sempre que ela fazia isso era porque algo muito errado estava acontecendo.
-Só até as coisas se resolverem, querido.
Quando me virei vi que Tyler estava na porta, em pouco tempo ele se juntou a nós para o café.
    -Então quer saber o porque que estou aqui, é isso ? Já estávamos de saída. Fechei a porta atrás de nós, fomos para frente perto do correio.
-Bem, não é exatamente isso –fiquei constrangido, o quanto da conversa ele teria escutado ?
Deu-se um momento de silêncio enquanto esperávamos o ônibus passar, pensei que estávamos atrasados.. mas o ônibus estava demorando muito para chegar.
-Não sei ao certo o que houve, mas acho que meus pais estão brigados. –por fim Tyler falou. Ele sempre foi muito apegado a mãe, por mais que fosse egoísta ele realmente se importava.
-Desde que está aqui já falou com sua mãe alguma vez ?
-Não. Há algum tempo que não a vejo – ultimas palavras sairão como um sussurro.
-Como isso é possível ? –Não estava entendendo nada, a mãe te Tyler era como a minha: super protetora.
-Eu não sei, mas há umas duas semanas que não vejo nem ela, nem nem pai. Meu pai me disse que iria me dizer assim que voltasse para casa.
  Fiquei preocupado, sua voz estava estranha, como se estivesse trise Tyler já estava quase chorando –Tive que ficar na casa de minha avó, na Florida. Mas vovó acho melhor que eu voltasse para Washington.
   Fiquei ali paralisado fitando aquele menino ruivo cheio de sardas, segurando firmemente sua mochila. Eu não sabia, nunca tinha sido bom em conselhos, mas conseguir dizer uma coisa antes do ônibus chegar –vai ficar tudo bem. Ele me olhou com espanto nos olhos como se eu não fosse capaz de dizer aquilo.
   Entramos no transporte escolar, Ella já estava lá. Assim que ela me viu me chamou para sentar perto dela –Alfred, aqui ! E acenou pra mim. Ella era uma das meninas mais bonitas da classe: cabelo curto loiro e uma franjinha acima da sobranceira, era algo estranho, mas que combinava muito com ela. Assim como Tyler, Ella também tinha sardas, só que as dela era bem menos evidente. Seu cabelo era liso, nas pontas tinha uma ondulação, como os cabelos de um anjo, assim eu imaginava. Sentei ao seu lado, ela já foi pegando minha mochila (queria meu caderno). Não pude ver para onde tinha ido Tyler, então me concentrei em Ella. 
-Como foi seu final de semana Alfred ? –enquanto me perguntava ela copiava o dever de casa. 
-não sei como consegue escrever com o ônibus em movimento –por fim falei.
-É bem melhor copiar as pressas do que receber um castigo do Sr. Coddy.
-Nisso tenho que concordar. Mas meu fim de semana foi normal, comecei a ler O Mundo De Sofia.
-Ah, é um bom livro. Muito denso, mas interessante.
-É, tenho que concordar com você, apesar de que não sou muito fã de filosofia.
   Ella riu.
-Filosofia não tem muito a ver com você. Ou seja, você não é um amante da sabedoria.
  Rimos juntos.
Era umas das coisas que mais admirada em Ella: sempre me fazia ri, em qualquer situação, a qualquer momento.
-Ei, quem é o garotão que veio com você ? Enquanto conversávamos Ella escrevia impacientemente, como se o mundo fosse acabar.
-Meu primo. –não estava afim de conversar sobre ele.
-O que ele está fazendo aqui ? Ele tá morando com você ?
-Bem, é complicado. Ao que parece ele vai passar um longo tempo comigo.
-Algo me diz que não esta animado com isso. Está ?
-Não mesmo. Qual seria a parte boa? Não havia.
   O ônibus parou.
-É acho que chegamos, vamos ?
Ella pegou sua mochila e me passou o meu caderno, logo o guardei. Nunca tinha prestado atenção mas a mochila de Ella fazia muito o seu tipo, como se tivesse sido feita sob medida. Era de um amarelo queimado com detalhes pretos cheia de Botos de bandas e algumas sátiras. Fui logo atrás dela. Ella era nova na escola, tinha entrado a menos de um ano, mas já eramos bastante amigos, não sei como.                   Fomos colocar nossas coisas no armário quando Ben se aproximou de nós. Ben era o terror da escola, todo tinham medo dele, exceto os professores. Ele veio em minha direção, já estava imaginando qual seria dessa vez.
-E aí branquelo –passou perto de mim e derrubou o que estava em minhas mãos: meu caderno e um livro.
  Ella gritou: Tenha mais educação, grandão!
Ela não devia ter dito isso. Ele olhou para nós.
-Com quem foi que falou isso ?
-Com você ! –Ella era corajosa, mas isso iria nos meter em encrenca.
Não demorou muito para que ele corresse em nossa direção. Nos entreolhamos e falamos: Corre !!!
Ella pegou em minha mão e saímos em disparada pela escola. Esbaramos em um dos armários, mas continuamos correndo, Ben continuava atrás de nós. Ben não era gordo, mesmo assim não conseguia correr muito. Já estava cansado quando viramos o corredor, entramos no refeitório. Paramos um pouco para respirar. Estava com meus pulmões quase querendo sair pela boca. Ella sentou se no chão com a cabeça entre as pernas –ele corre, não mais que  a gente, mas mesmo assim cansa. E começou a ri, dava para perceber que ela estava extremamente cansada, mais do que eu. –É, corre muito. Quase nos alcançou. Eu e minha boca, quando olhamos para o lado da porta lá estava Ben e ele iria se aproximar.
    Corremos.
   Passamos por outra porta, seguimos pelo corredor. Tivemos que descer varias escadas, sempre tive medo de escadas, mas quando é entre correr na escadaria e levar uma surra: eu prefiro correr. Nunca gostei de brigas ainda mais quando sei que vou perde-la. Quase tropecei no meu cadarço que a essa altura já tinha se soltado. Chegamos no primeiro andar e não avistei Ben. –Vamos. Ella pegou em minha mão, guiando me por mais uns lances de escada. Havia um corredor no qual nem sabia que existia no colégio, seguimos por ele. Não estávamos correndo, apenas andando apresadamente agora. Quando íamos entrar em outro corredor vimos Ben, voltamos para trás. Corremos, entramos em outro corredor, com mais alguns lances de escada. Ben já estava quase nos alcançando quando vimos o professor Coddy, entramos as pressas na sala. Sentamos em nossos respectivos lugares, Ben chegou logo depois, se aproximou de mim e falou em leitura labial “eu pego vocês na saída”, Ella e eu nos entreolhamos. O professor logo foi pedindo nossa lição para dar o visto.  
     O resto do dia transcorreu normal, até o almoço. Ella eu e Mike sentamos como de costume no patio para conversarmos depois do almoço.
-É, acho que o grandão nos quer morto. –Enquanto eu falava Ella desenhava em seu caderno. -Tá fazendo algum desenho dele ?- Perguntei, curioso.
-Não, só uns rabiscos mesmo. 
Ella queria fazer moda, seu desenhos eram sempre incríveis. Ela se encostou na arvore; estávamos todos as pés de uma jabuticabeira, só que não tinha frutos.
-Ei, qual é a do teu primo? –perguntou-me Mike.
-Ele fez alguma coisa ? - me assustei com a pergunta.
-Olha lá –Mike apontou para a entrada da escola.
-Oh, M-E-U Deus. –O que era aquilo ? Tyler andando com Ben, só podia ser um complô contra mim, de onde tinha surgido essa amizade ? - Realmente não sei de que lado está meu primo, Mike.
Levantei-me, sacudi minhas roupas para tirar a grama, peguei meus matérias. 
-Já ?! –Ella me perguntou.
-Temos aula de Ciência, se esqueceu ?
-Há, claro.. Me ajude a levantar ?
Dei a mão pra ela.
    Não sabia ao certo que tipo sensação era aquela, mas me sentia muito bem ao lado de Ella, como se ela fosse um elo perdido fora de mim, mas que me pertencesse. Certa vez escrevi um poema sobre isso, o chamei de: Elo Perdido Fora De Mim.
"Não posso supor o que diga.
Não posso saber o que pensa.
Não consigo tocar sua mente.
Seu mundo é tão preto no branco.
Mas quando estou com você.. ah, meu mundo vira cores.
Minha alma resplandece.
Sua voz me guia.
Meu coração bate.
A batida me atrai.
Sua canção me alcança.
Sua mão me leva para longe.
Seu abraço me tira do mundo, me leva para longe.
Sou uma fração de segundos.
Sou sua constelação.
Me jogaria de montanhas e de pontes.
Atravessaria desertos.
Enfrentaria Dragões.
Tudo para ouvi-la novamente, em minha mente.
São elos perdidos fora de mim.
Constelações perto de ti.
Sou um mundo de possibilidades.
De estranhas sensações."
_Alferd Grey
   Foi do fundo do meu coração. E mesmo não entendendo direito o que estava acontecendo... faço de tudo para deixá-la feliz.
  Mike e eu subimos as escadas para o colégio, Ella vinha logo atrás ajeitando sua bolsa e tirando o cabelo do rosto. Fomos todos direto para sala do Sr. Coody. Nosso professor de ciências era legal, gostávamos de todas as experiencias que fazíamos em sala. Hoje iriamos aprender sobre: dessecagem de sapos -algo nojento, mas acho que todos os garotos de 10 anos, inclusive eu, achava isso algo interessante para se fazer. Ella se animava mais do que eu, embora Mike não curtisse muito a ideia pois ele criava uma rã. Criar algo tão pegajoso deveria ser digno de coragem. Mike dizia que sua rã acordava ele todas as manhas, sempre me perguntei como. As vezes ele trazia sua rã no bolso da calça, embora hoje ele não quis traze-la para nos fazer uma visitinha no laboratório de ciências. Sr. Coody entrou, foi logo fazendo a chamada, enquanto eu Ella e Mike conversávamos.
-Cadê sua rã Mike ? –Ella começou a ri depois de perguntar isso.
-Tá em casa. Ei, poque tá rindo ?
Ella não conseguia parar de ri, a sorte é que o Sr. Coddy não podia nos ouvir.
-É engraçado. Ella parou de ri, e fez sua cara de anjo estilo Brigitte com a mão no rosto encostada na mesa.
-Não é não –Disse Mike em um tom de aflição –Não gosto de trazer a Kika em lugares que ela provavelmente sera dissecada.
Não aguentei, comecei a ri. Quando dei por mim Ella também estava rindo. Mike então fingiu nos ignorar, abriu um livro da saga Harry Potter e foi ler.
-Ah, não se faça de nerd Mike. Só estávamos brincando. Deixe disso. –Ella então fechou o livro.
-Não gosto que brinque com os sentimentos de Kika –Mike fez bico.
Ella e eu tivemos que engoli uma risada, fizemos cara de sérios.
-Tá, prometemos não mencionar mais o nome de Kika em nossas brincadeiras –Ella falou seriamente.
-Eu prometo –Disse eu, embora soasse em tom de brincadeira.
-Bom dia turma –Sr. Coddy interrompeu nossas singelas desculpas a Kika.
-Bom dia, Sr. Coddy –A sala respondeu em uni som, embora a voz de Liza McWood ressaltasse a de todos.
Liza era uma das piores patricinhas da turma. Ela andava com outras duas meninas Carla Downson e Milla Forbs. Poque esse tipo de menina sempre tem que andar em grupo de três ? Não gostava muito delas, afinal desde a 1° series que elas faziam brincadeiras de mal gosto comigo. Brincadeiras que só elas riem. Elas sempre se sentava bem na frente, sempre achei que era para chamar atenção.
    -Turma, hoje vamos aprender como se disseca um sapo. Há varias formas de se dissecar um animal..- a voz do Sr. Coody era muito autoritária embora ele não fosse exatamente assim. Ele começou a dar uma aula, o que pareceu ser de biologia para a gente - A dissecção se refere à pratica de executar-se uma cirurgia exploratória em animais (vivos ou mortos) em um contexto educacional. Outros animais também são usados, além, é claro do sapo. –Ele deu uma olhada para a turma inteira, sem parar especificamente em um lugar, depois jogou seu cabelo preto para trás. Não era um cabelo longo, mas tinha um topete. Reaqueceu a garganta e continuou – Vocês sabiam que a dissecação é responsável pela morte de cerca de 7 milhões de animais por ano ? – deu uma breve pausa -Vários destes animais são criados em condições de fazendas. Outro são tirados de seus habitats naturais. Freqüentemente, animais de estimação perdidos terminam seus dias nas mãos dos dissecadores. –Senti que Mike estava nervoso com toda aquela aula sobre dissecar sapos.
-Ei. –Mike me cutucou, percebi pelo canto do olho que Ella estava prestando muita atenção na aula, o que me dizia que ela estava adorando. Não era de se esperar menos dela.
-O que foi ? –Me abaixei para conversarmos melhor.
-Acha que Kika vai parar em um dissecador ? –Percebi que meu amigo estava muito assustado com aquela história.
-Claro que não. Depois conversamos sobre isso. Voltei a prestar atenção na aula o suficiente para escutar um pedaço, tinha perdido a introdução de um outro ponto a ser discutido.
- Na Califórnia há uma lei que dá aos estudantes o direito de recusar-se a praticar dissecação. A lei requer que uma alternativa seja oferecida e que o estudante não sofra sanções por exercer o seu direito. Bem, eles dizem que dissecar um sapo ajuda muitos cirurgiões nas operações com humanos o que não acho que seja verdade. Estão me acompanhando ? Bem, hoje preparei para vocês um vídeo sobre o assunto, quero depois um relatório entregue na próxima aula.
A aula prosseguiu apenas na teoria, na pratica não fizemos nada.
Quando o Sr.Coody retirou o documentário/filme a classe já estava conversando. Olhei de soslaio para o cando e vi Ben em uma atitude muito suspeita, ele estava perto do santuário das rãs (era um enorme aquário). Não passou muito tempo, só pude ouvir o grito do sr.Coody -Não ! Mas já era tarde. Ben estava tentando pegar um livro na prateleira quando escorregou, caiu e acidentalmente o santuário veio abaixo. Um barulho ensurdecedor foi escutado, o vidro quebrou em dois grandes pedaços e alguns fragmentos menores. Não demorou muito para que todas aquelas rã se fundisse em meio aos alunos. Podia-se ouvir vários gritos das meninas, as rã saltavam de um lado para outro. Vi que Liza e Carla estavam em cima de cadeiras por causa das rãs, bem, era um boa visão quanto se é nerd. Elas gritavam de pavor, gritos finos que davam mais medo do que as rãs. Pelo canto vi que Ella nem se expressava com a situação, estava ajudando o Sr. Coody a pegar as rãs e coloca-las em um balde. Algumas das rãs conseguia sair do balde, outras fugiam das mãos deles. Mike também tava ajudando, fui ajudá-los. A sala tinha se transformado em um pandemônio. Meninas gritavam, outros ficavam em cima das cadeiras. Vi que Ben e Tyler estava com um grupo de meninos também pegando as rãs. Ben fez medo com uma delas a Carla, que quase chorou de medo, e ficou choramingado quando ele saio de perto dela.
-Essas meninas são frescas –Ella ria. –o que tem de mais estas pobres criaturinhas ? São tão lindinhas.
-Prefiro elas a aquelas meninas –disse Mike- O grito delas está começando a me assustar.
Uma rã conseguiu entrar em minha blusa, era pegajosa e geladinha. Retirei ela de lá antes que começasse a pular, coloquei no balde ao chão.
-É acho que teremos muito trabalho aqui –disse o Sr. Coody.
Depois do ataque tivemos que sair da sala, era muitas rãs e não conseguiríamos conte-las. Pegamos nosso material para irmos embora.
-Ei, o que ele quer ? Ella me perguntou com precupação.
-Quem ? –tentei ver quem Ella estava me mostrando mais não conseguia. Ela apontava para frente: tinha apenas a porta de entrada da escola, lá fora as pilastras que dava para uma enorme varanda de entrada.
-O Ben! Ele está lá na frente. 
Me lembrei do ocorrido mais cedo.
-Vamos ter que encarar. Mas não tinha muita certeza se erra isso mesmo que eu queria.
      Ella e eu fomos atravessar a porta.Ben olhou diretamente pra mim e falou: Acho que temos que acertar algumas coisas.
-E eu acho que não tenho nada para resolver com você. –respondi. Não queria brigar, só queria.. voltar pra casa.
-O que você tá pensando Ben ? –Ella entrou no meio.
-Só quero que o garotão aí aprenda a lição. Disse Ben em tom de brincadeira.
-Que tipo de lição ? Ella perguntou.
Fiquei me perguntando o que Ella estaria fazendo, tentando ganhar tempo ? Percebi que ela estava nervosa, não gostava da situação tanto quanto eu. Ella estava planejando algo, percebi que ela estava tentando gesticular para um lado, e logo avistei duas bicicletas mais a frente na grama jogadas ao chão.
Vi que Ben iria dar uma investida em mim, então sem pensar desviei e sai correndo em disparada. Ella estava logo a frente. Atravessamos toda a grama da escola, pegamos as bicicletas e começamos a pedalar como loucos. Logo Ben não passava de um pontinho branco no final da estrada.
   Riamos. 
  Estávamos adorando aquele vento em nosso rosto, era tudo muito alucinante.
  A rua estava muito calma. Havia vários carros estacionados, quase nenhum estava na pista andando. Entramos a esquerda, não sabia para onde estávamos ido, era direção contrária de nossas casas.
-Para onde estamos indo Ella ?
-É uma surpresa.
Continuamos pedalando. Entrando em varias ruas diferentes, passamos por parques, museus, igrejas, supermercados... Já estava cansado quando Ella parou em um estacionamento. Colocou a bicicleta perto de um poste e pediu que fisese o mesmo. Assim que desci Ella pegou em minha mão, começamos a andar para um lugar no qual não sabia onde era. Paramos em frente a um prédio, Ella olhou para mim com um sorriso de canto então seguiu em frente. Começamos então a subir as escadas, eram muitas. Não havia ninguém nas escadas, nenhum sinal de vida, achei isso anormal. Ella subia as escadas com uma rapidez de que já havia estado ali algumas vezes, começou a ficar difícil conseguir acompanha-la. Chegamos em um corredor, Ella tomou a frente e foi em direção ao 302, estava escrito na porta: GALERIA DE ARTE DA EBE. Ella abriu a porta e me puxou para dentro.
-Como tem a chave disso aqui? –perguntei.
-É da minha mãe. Respondeu-me ela de uma forma bem natural, como se já tivesse me dito isso varias vezes.
-Não sabia que sua mãe pintava- enquanto isso tocava em algumas telas expostas.
Eram lindas pinturas abstratas, e algumas bem realistas, outras mais opacas. Tudo muito lindo. Não seguia um padrão, ela mudava constantemente o estilo, isso me indicava que seria uma pessoa de fases.
Ella se encontrava dispersa pela sala, andando de um lado a outro, até que parou e sentou em um pneu pintado de verde acolchoado.
-Queria pedir que me ajude.
-Ajudar em que? Me assustei quando ela pediu minha ajuda, sempre pensei que fosse uma pessoa que resolvia seus problemas: pelo menos sempre fora assim.
-É complicado... –Ella deu uma pausa de alguns segundos para depois continuar – meu pai.. ele anda... estranho.
-Como assim ‘estranho’? –não estava conseguindo compreender seu raciocínio.
Ella pensou.
-Bem, ele.. Muitas vezes não dorme em casa. Passa o dia no trabalho, e quando enfim chega em casa toma banho e logo sai! Não janta mais conosco.
-Ele pode apenas estar tendo muitas coisas do trabalho para fazer.
-Não! Não é isso. –Ella se distanciava a cada palavra, como se estivesse ativando suas memorias, revivendo-as.
-Como sabe que não é isso?
-Posso confiar em você, Alfred?
-Mais é claro, Ellie.
-Ouvi uma conversa dele esta manhã –uma pausa- ele dizia, quer dizer.. conversava com uma mulher! Meu pai falava que queria vê-la, que tinham muitas coisas para resolverem. Mas de alguma forma esta tudo tão fora do lugar que não creio que seja apenas trabalho, não da maneira que ele se porta.
-Acha que está havendo um envolvimento entre seu pai e está mulher?
Ella olhou espantada para mim.
-Talvez. É isso que quero descobri. Vou precisar de sua ajuda O.k ? Tenho algumas coisas em mente.

 O resto da tarde foi normal, levando em conta o motivo de estar ali. Ella me mostrou varias das pinturas de sua mãe, inclusive uma na qual era Ella que estava sendo retratada na tela. Algumas não conseguia entender, mas a maioria eram dotadas de muito talento. Um certo dom artísticos que poucos tinham. 

Autora: Jaqueline
Gonçalves Dias: principal poeta romântico e uns dos melhores da língua portuguesa, nacionalista, autor da famosa Canção do Exílio, da nem tão famosa I-Juca-Pirama e de muitos outros poemas.
Álvares de Azevedo: o maior romântico da Segunda Geração Romântica; autor de Lira dos Vinte Anos, Noite na Taverna e Macário.
Castro Alves:grande representante da Geração Condoeira, escreveu, principalmente, poesias abolicionistas como o Navio Negreiro.
Joaquim Manuel de Macedo, romancista urbano escreveu A Moreninha e também O Moço Loiro.
José de Alencar, principal romancista romântico. Romances urbanos: Lucíola; A Viuvinha; Cinco Minutos; Senhora. Romances regionalistas: O Gaúcho, O Sertanejo, O Tronco do Ipê. Romances históricos: A Guerra dos Mascates; As Minas de Prata. Romances indianistas: O Guarani, Iracema e o Ubirajara.
Manuel Antônio de Almeida: romancista urbano, precursor do Realismo. Obras: Memórias de um Sargento de Milícias.
Bernardo Guimarães: considerado fundador do regionalismo. Obras: A Escrava Isaura; "O Seminarista"
Franklin Távora: regionalista. Obra mais importante: O Cabeleira.
Visconde de Taunay: regionalista. Obra mais importante: Inocência.
Machado de Assis: estilo único, dotado de fase romântica e realista. Em sua fase romântica destacam-se "A Mão e a Luva" e "Helena". Ainda em tal fase realizava análise psicológica e crítica social, mostrando-se atípico dentre os demais românticos.

Pesquisa por Fabrícia Oliveira 
terça-feira, 4 de junho de 2013
– expressa um ideal de homem brasileiro, que é retratado no índio mítico e lendário, inspirado no “bom selvagem” de Jean Jacques Rousseau. Tem por base o cavaleiro medieval (herói, nobre, guerreiro, fiel aos deveres). Além disso, Gonçalves Dias não vê o colonizador branco com simpatia, e sim como o símbolo do terror e da exploração do índio.

I-Juca-Pirama: poema que narra o último descendente Tupi, que é feito prisioneiro de uma tribo inimiga. Leia abaixo alguns Trechos da obra:

"Meu canto de morte, Guerreiros, ouvi:

Sou filho das selvas, Nas selvas cresci;

Guerreiros, descendo Da tribo Tupi.



Da tribo pujante, Que agora anda errante

Por fado inconstante, Guerreiros, nasci;

Sou bravo, sou forte, Sou filho do Norte;

Meu canto de morte, Guerreiros, ouvi."


Pesquisa por Elisláine Bastos.

Pesquisa por Samantha Vieira
Esse povo feliz,
Povo guerreiro,
Que encanta a tanta gente,
Povo brasileiro.

Povo que também sofre,
Mas, sorri o tempo inteiro,
Superando os desafios,
Povo brasileiro.

Povo que segue em frente,
Por um futuro melhor, lutando,
E é por isso, que a outros povos,
Continua encantando.

Povo destemido.
Povo festeiro.
Povo forte
Povo Brasileiro.

Autora: Fernanda Cunha